sábado, 30 de julho de 2016

Sejuc instala bloqueadores de celular na Penitenciária de Parnamirim, RN

Bloqueadores são os primeiros da história do sistema prisional potiguar. Empresa Neger Tecnologia e Sistemas Ltda vai receber R$ 174 mil.

Anderson Barbosa Do G1 RN
Durante a instalação das torres e dos bloqueadores, foram os próprios presos quem se encarregaram de espalhar a novidade

Bloqueadores de celular foram instalados nesta quinta-feira (28) na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), na Grande Natal. O sistema, que promete impedir que os presos façam ou recebam ligações de dentro do presídio, é o primeiro da história do sistema prisional potiguar. Pelo fornecimento e manutenção dos equipamentos, a empresa Neger Tecnologia e Sistemas Ltda vai receber da Secretaria de Justiça e da Cidadania (Sejuc) R$ 174 mil, divididos em seis parcelas de R$ 29 mil. O contrato, que tem vigência até dezembro, foi publicado no Diário Oficial do Estado na edição do dia 5 de julho.

Durante a instalação das torres e dos bloqueadores, foram os próprios presos quem se encarregaram de espalhar a novidade. Fotos feitas de dentro do pátio da unidade rapidamente chegaram às redes sociais. Áudios, supostamente gravados por detentos, também foram parar em grupos de WhatsApp. 

Em contato com o G1, o secretário Wallber Virgolino, titular da Sejuc, procurou minimizar a situação, preferindo não fazer alarde sobre o equipamento. “Trata-se de um sistema de videomonitoramento com a utilização de infravermelho”, limitou-se a dizer.

Dezenas de ventiladores, rádios e TVs foram recolhidos no início da semana do pavilhão 2 da Penitenciária Estadual de Parnamirim (Foto: Sejuc/Divulgação)

Sem celulares e sem ventiladores, TVs e rádios
Em cindo cias, esta é a segunda vez que a Penitenciária Estadual de Parnamirim ganha destaque. No início da semana, a Sejuc puniu os presos da unidade ao recolher das celas do pavilhão 2 dezenas de aparelhos de TV, rádios e ventiladores. “Começamos a tirar os presos da zona de conforto. Benesses e regalias concedidas em outros tempos estão sengo substituídas por disciplina”, afirmou Virgolino ao falar sobre a apreensão dos objetos.

Ao G1, o secretário da Sejuc explicou que os aparelhos foram retirados como punição pelo mal comportamento e sucessivas tentativas de fugas dos presos. "Toda semana encontramos escavações de túneis no local. Isso precisa acabar. Não aceitaremos insubordinações”, afirmou.

Várias unidades prisionais do RN foram destruídas nas rebeliões de março de 2015. A foto mostra como ficou uma das celas de Alcaçuz (Foto: Divulgação/Sindasp-RN)

Sistema em calamidade
O sistema penitenciário potiguar não passa por um bom momento. E faz tempo. Em março de 2015, após uma série de rebeliões em várias unidades prisionais, o governo decretou estado de calamidade pública e pediu ajuda à Força Nacional. Para a recuperação de 14 presídios, todos depredados durante os motins, foram gastos mais de R$ 7 milhões. Tudo em vão. As melhorias feitas foram novamente destruídas. Atualmente, em várias unidades, as celas não possuem grades e os presos circulam livremente dentro dos pavilhões.

Além das unidades depredadas e da superlotação, mortes dentro dos presídios e fugas também se tornaram problemas constantes para o Estado. Somente este ano, 16 detentos morreram de forma suspeita ou foram assasinados dentro das unidades prisionais do estado. E mais: 274 detentos já escaparam do sistema prisional potiguar em 2016.

Após uma das mais recentes fugas deste ano, quando 16 detentos escaparam de um presídio na região Seridó do estado, o secretário Wallber Virgolino chegou a afirmar que o Estado tem total controle da situação. “As fugas reduziram, o sistema distensionou. Os agentes penitenciários entram em qualquer unidade do estado a qualquer hora do dia e da noite, então nós retomamos o controle das unidades prisionais”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário