sábado, 16 de julho de 2016

Terror em Mossoró: bandidos ateiam fogo em casa com família dentro

Foto: Josemário Alves / MH

A dona de casa Deuzilene Antônia da Silva, de 42 anos, e sua filha cadeirante Clícia Roberta da Silva, de 15 anos, vivenciaram momentos de terror na madrugada da quinta-feira passada (14), quando suspeitos atearam fogo na casa delas e a forçaram a ficar dentro do imóvel.

O caso aconteceu no Residencial Santa Júlia, na região Oeste de Mossoró, onde as vítimas moram. Na casa, doada à família pelo programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, Deuzilene, que é conhecida por Leninha, mora com o marido e os dois filhos.

A casa tem dois quartos, sala e cozinha. É forrada com PVC. Leninha informou que moravam de aluguel e há pouco tempo realizou o sonho da casa própria. “Agora estamos todos aterrorizados. Minha filha já disse que para lá não volta mais”, conta.


Leninha conversou com o MOSSORÓ HOJE dentro do Hospital Regional Tarcísio Maia, onde estava se tratando de queimaduras no rosto, braços e em parte das costas e perna. “Dói muito”, diz. Ela contou detalhes de como foi a invasão de sua casa e os motivos alegados pelos suspeitos. 

A reação dos suspeitos (caso está sendo investigado na 2ª DP de Mossoró) foi porque o filho dela mais velho (de 22 anos) havia brigado num jogo de futebol na tarde de terça-feira (12). Na ocasião, Francisco Mikael Martins Fonseca, de 21 anos, saiu ferido (golpe de faca) e a reação dos amigos dele foi queimar o autor desta facada vivo, na frente da família.

“Certamente, eles queriam colocar gasolina no meu filho e tocar fogo. Como não encontraram, resolveram se vingar em mim e minha filha, que é especial”, conta Leninha. O filho de Leninha (nome preservado), no momento do ataque estava na casa de um parente, já para evitar um novo confronto com os amigos de Mikael Martins.

O ataque foi protagonizado por quatro suspeitos, que estavam numa moto e numa camioneta Hilux. Dois invadiram a residência quebrando a porta dos fundos e renderam o pai do rapaz na porta do quarto. Enquanto um rendia o homem com uma faca no pescoço, o outro espalhava gasolina nos compartimentos da casa, ateando fogo em seguida.

Leninha contou que entrou em desespero e saiu da sua cama e se abraçou com a filha portadora de necessidades especiais na outra cama. Quando o fogo subiu rapidamente, ela tentou sair do quarto levando a filha e o suspeito a empurrou de volta no fogo. Leninha disse que caiu de lado nas chamas e queimou braço, parte do rosto, perna e as costas.

Já a adolescente Clícia teve o rosto, costas, braços e pernas queimados. Após atearem fogo, os bandidos ameaçaram a família de morte, caso revelasse os nomes deles, e fugiram. O marido de Leninha, no desespero, puxou a filha pelas pernas e depois fez o mesmo com a mulher. 

Os vizinhos ajudaram a apagar o fogo. O Corpo de Bombeiros e a Policia Militar também ajudaram. “Ele (o marido) salvou a mulher e as filha e também ficou queimado”, contam os agentes que estão investigando o caso. Os policiais narraram que a casa ficou totalmente danificada. O forro de PVC ficou destruído, apenas com os arames pendurados. 

Clícia foi socorrida pelo SAMU para o Hospital Regional Tarcísio Maia, onde teve o quadro estabilizado e em seguida transferida para o Hospital da Hapvida. Como o quadro é mais grave, a jovem foi levada para Fortaleza, tendo a tia como acompanhante.

(Foto: Cedida pela família)

“Eu pago plano de saúde para ela com R$ 120 reais. Ela é especial e precisa de atendimento médico de vez em quando”, conta Leninha, que foi socorrida só com a roupa no corpo (queimada) para o HRTM. Dentro do Hospital, os funcionários, pacientes e acompanhantes ficaram revoltados com o nível de brutalidade e covardia com a família.

Leninha diz que perdeu todas as roupas dela, do marido, da filha e do filho. As camas, redes e até alguns documentos também foram destruídos. A cadeira de rodas da filha, que havia sido comprada há poucos dias, foi retirada pelos vizinhos antes das chamas a destruir. Recebeu a reportagem usando um vestido emprestado por outra paciente do HRTM.

Leninha afirma que não sabe como alguém é capaz de cometer tal barbaridade, mas ao ser questionada sobre qual sentimento naquele momento, ela foi rápida em dizer: felicidade. “Felicidade não pelo que aconteceu, mas porque consegui salvar minha filha”, contou com a voz embargada e acrescentando que não sabe ainda o que vai fazer ou onde morar.

A família está assustada, naturalmente temendo um novo ataque. É que os suspeitos ameaçaram todos da casa, em especial o marido dela, caso ele denunciasse eles à polícia. “Eles disseram que se meu marido dissesse para a polícia, eles voltavam para matá-lo”. Leninha pede justiça, atenção das autoridades para o crime.

O caso está nas mãos do delegado Paulo Pereira, substituto da 2ª Delegacia de Polícia. Paulo é delegado em Baraúna. O titular da 2º DP é Antônio Caetano Baumam de Azevedo, que está de férias. Uma perícia foi feita pelo Instituto Técnico-científico de Polícia (ITEP) na residência da família, durante a manhã desta sexta-feira (15), e um inquérito policial já foi aberto.

O diretor do Hospital Regional Tarcísio Maia, Jarbas Mariano, informou que, por não haver setor de queimados em Mossoró, transferiu a dona de casa Deuzilene Antônia para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, na noite desta sexta-feira (15). O quadro de saúde das duas inspira cuidados.

Por Josemário Alves e Cézar Alves Mossoró Hoje

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