segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Líderes de rebelião no RN são identificados e serão transferidos

Presos se renderam após 14h de rebelião na penitenciária. Governo não confirma número de mortos, mas diz que há mais de 10.

Fernanda Zauli e Fred Carvalho Do G1 RN
Secretários Wallber Virgolino e Caio Bezerra participaram de coletiva em Natal (Foto: Elias Medeiros/G1)

O Governo do Rio Grande do Norte identificou pelo menos seis líderes da rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz que durou cerca de 14 horas e deixou mortos. De acordo com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), o governo vai pedir a transferências dos líderes para presídios federais. Outros detentos devem ser transferidos ainda neste domingo (15) para outras unidades prisionais do estado.

O Itep montou uma 'operação de guerra' para receber os corpos. Uma carreta frigorífica foi contratada para armazenar os corpos e legistas do Ceará e da Paraíba vão auxiliar no processo de identificação. De acordo com o Itep, o órgão está preparado para receber 100 ou mais corpos, se for o caso. No entanto, uma fonte do governo informou que até a última atualização desta reportagem pelo menos 25 mortes haviam sido confirmadas. Oficialmente, o governo do RN diz apenas que há "mais de dez mortos".

O titular da Sejuc, Wallber Virgolino, informou confirmou que os presos do pavilhão 5 invadiram o pavilhão 4. "É impossível evitar mortes quando eles querem. O pavilhão 4 tinha entre 150 e 200 presos. Não sabemos ainda precisar quantos morreram", disse. Até a publicação desta reportagem, a polícia já havia entrado nos pavilhões 1, 2 e 3 e se preparava para entrar nos pavilhões 4 e 5 onde a situação já estava controlada.

Segundo ele, um trabalho de contenção realizado por agentes penitenciários com o uso de bombas de efeito moral evitou a entrada dos rebelados no pavilhão 1. "Em termos de número de mortes essa é a maior rebelião da história do Rio Grande do Norte", disse.

Ainda de acordo com o secretário, a rebelião no Rio Grande do Norte não tem relação confirmada com os motins no Amazonas e em Roraima. "Não há confirmação de relação, mas com certeza as rebeliões naqueles presídios incentivaram o que aconteceu aqui", disse Virgolino.

O Governo montou um ambulatório na penitenciária para atender os presos com ferimentos mais leves. Os feridos com maior gravidade foram levados de ambulância e escoltados para o Hospital Walfredo Gurgel.

Três equipes de delegados da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e 15 homens farão a perícia dos locais de crime. A Polícia Militar continua com o patrulhamento externo, com o helicóptero Potiguar 01, com o Batalhão de Choque e Batalhão de Operações Especiais (BOPE) auxiliando na contenção e recontagem dos presos e na intensificação do trabalho nas guaritas da unidade. A Força Nacional colaborou no patrulhamento.

A Penitenciária de Alcaçuz, segundo o governo, ficou parcialmente destruída e não há previsão para reconstrução. Ainda na tarde de sábado (14) um detento fugiu da penitenciária, mas foi recapturado em seguida.

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