sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Em Natal, Itep tem ossadas e corpos acumulados sem identificação

Segundo diretor, pelo menos 15 indigentes estão no instituto. Superlotação dificulta trabalho da perícia e armazenamento de corpos.

Andréa Tavares e Ediana Miralha Do G1 RN
Corpos ficam no pátio do Itep em Natal (Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)

Pelo menos 15 corpos ou ossadas de pessoas não identificadas estão acumuladas no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) de Natal. Superlotado, o Itep reúne corpos fora das câmeras frigoríficas, ensacados no chão do pátio, expostos ao sol. De acordo com o diretor do Itep, Marcos Brandão, a situação acontece pela espera por vagas nos cemitérios públicos da cidade. “Esses corpos estão sobrecarregando o sistema”, afirmou Marcos.

Dentre os corpos estão os quatro mortos não identificados do massacre de Alcaçuz, vítimas da rebelião que aconteceu em janeiro na maior penitenciária do estado. Na ocasião, pelo menos 26 detentos foram mortos em uma briga envolvendo facções criminosas rivais que disputam o poder do tráfico de drogas no estado.

O Itep cobra vagas nos cemitérios para enterrar os indigentes, mas a situação está sem solução há mais de um ano.“Não tem vaga para enterrar esses corpos. Entramos em contato com a prefeitura, mas nossas reuniões são canceladas”, explicou Brandão. “Todos os dias chegam novos corpos, mas nenhum indigente saiu. Isso contribui para o mau cheiro, pois alguns corpos já chegam em estado de decomposição, mas não temos câmaras para guardá-los”, acrescentou. 

Ainda de acordo com o diretor do Itep, o instituto tem a obrigação de ficar com os cadáveres não reclamados por no mínimo 45 dias, mas a falta de vagas nos cemitérios impede que os corpos sejam removidos.

Brandão afirmou que, em casos como as vítimas da matança em Ceará-Mirim -- na qual 14 pessoas foram assassinadas em 2 dias -- procedimentos emergenciais são tomados. “Colocamos os corpos no pátio, em urnas, dentro de sacos e com gelo, para amenizar o processo de decomposição”, disse.

Nesta quarta-feira (22), parentes aguardavam a liberação dos mortos nas calçadas e embaixo de árvores porque não havia espaço na sala de espera. Muitos reclamaram do mau cheiro. “Tem muita gente aqui esperando seus entes queridos, todos podres lá dentro”, revoltou-se a empregada doméstica Lucineide Nascimento.

Uma das soluções que será apresentada à prefeitura, quando o Itep for recebido, é a construção e ampliação de ossários, nichos onde ossadas são guardadas. “A construção de um ossário em um dos cemitérios públicos é o ideal. Se não tivéssemos excesso de corpos, teríamos condições de atender melhor a população”, ressaltou o diretor Marcos Brandão.

Conversa
A Secretaria de Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de (Semsur) afirmou que prefeitura está sempre aberta à conversa com o Itep e ressaltou que esta semana foram disponibilizadas vagas no Cemitério Público de Natal. A Semsur destaca que a prioridade nos cemitérios da capital é para pessoas da própria cidade. O órgão afirmou também que há vagas suficientes nos cemitérios públicos da cidade e enfatizou que nunca ocorreu de o serviço estar indisponível para a população.

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